O mistério por trás do sucesso das NE IPAs

Este post é dedicado a explicar o porquê do sucesso incrível que o estilo NE/Hazy/Northeast/New England/Vermont IPA vem fazendo, tanto nos Estados Unidos, como aqui no Brasil.

Para se ter ideia do sucesso a que nos referimos: as três melhores cervejas do Brasil, segundo o aplicativo Untappd, são New England IPAs. São elas a Hocus Pocus Overdrive, Dogma Rizoma e Hocus Pocus SupperSymmetry (obs: a Rizoma é a única a não respeitar 100% o processo de fabricação das NE IPAs, uma vez que não faz uso da levedura Conan).

Para quem acreditava em uma rivalidade entre a Dogma e a Hocus Pocus: as duas vão lançar esta semana a Peach², uma NE IPA com pêssego!

Sobre as características do estilo, uma das que mais se destaca é o fato de a coloração ser bem turva e com boa retenção de espuma. No entanto, esta turbidez está mais para uma consequência dos processos de fabricação aplicados para o desenvolvimento dessa receita, do que propriamente um fim a ser alcançado pelo mestre cervejeiro.

Alguns inclusive dizem que a turbidez é um (a) mal (consequência) necessário (a) para se alcançar um paladar e um aroma tão ricos. Ou seja, o resultado final em termos de aroma e paladar justificariam uma perda considerável na aparência da cerveja.

Mas, como dito, a turbidez não é um fim a ser alcançado e, portanto, é apenas uma característica secundária deste tipo de cerveja.

O que realmente importa numa New England IPA

Em verdade, as duas principais características desse novo estilo são que há um foco maior no aroma do que no amargor e, na boca, uma maciez e uma sensação aveludada provocada, de modo geral, pela adição de grãos ricos em proteína, tais como aveia ou trigo (mas sem deixar a cerveja muito pesada ou encorpada).

Sobre o aroma, me recordo quando estava com a Larissa no festival Hocus Pocus Sinestesia, em que estavam sendo servidas três cervejas deste estilo (mais precisamente, uma NE IPAEvent Horizon; uma Double NE IPAOverdrive e uma Triple NE IPASuperSymmetry) e, sério, o aroma dos copos das pessoas que estavam bebendo perfumava todo o ambiente. Parecia até que tinham jogado um “Bom Ar” de lúpulo em toda a Casa da Glória, onde rolou o evento.

Para alcançar este aroma pungente, as cervejarias tendem a apostar muitas vezes em Single Hops de lúpulos de aroma, como é o caso da Hocus Pocus, que utiliza apenas o famoso Citra na composição de sua incrível cerveja Overdrive e da Three Monkeys, que em colaboração com a 2 cabeças, explorou ao máximo os aromas cítricos e frutados do lúpulo australiano Galaxy.

OverLab Simcoe é um dos rótulos de uma série de experimentos single hop feitos pela cervejaria OverHop. Todas as cervejas dessa série são New England.

Mas por que, afinal, amamos tanto as NE IPAs?

Ok ok, mas ainda fica a questão no ar: por que as NE IPAs estão fazendo tanto sucesso?

Bem – e aqui vai uma opinião particular minha, que gostaria de compartilhar com vocês – acredito que a febre das NE IPAs se explica pelo fato de que elas conseguiram otimizar pontos positivos e reduzir pontos negativos das IPAs que estamos acostumados a beber.

É inegável que existe um amor à parte pelo lúpulo no mundo da cerveja artesanal. Para isso basta olhar as camisas de cerveja, fóruns, livros etc. Convenhamos que é bem mais difícil ver alguém desfilando com uma tatuagem de malte de cevada por aí do que com uma de flor de lúpulo.

As New England IPAs têm mais “gosto de lúpulo”, mais aroma de lúpulo. Mais do que isso: NE IPAs têm mais lúpulo de modo geral do que qualquer IPA já feita, chegando a dosagens de 30g/L.

Apesar de levar doses cavalares de lúpulo, o amargor das NE IPAs é bem menos rascante do que de uma IPA americana tradicional.

Por mais que muitas vezes tenhamos dito que amamos o amargor (e eu me incluo nesse time), me parece que, na verdade, nós gostamos mesmo é do lúpulo, e o amargor é uma coisa que tivemos que aprender a gostar, afinal era “acompanhante” necessário das cervejas lupuladas.

Com as New England IPAs, o sabor e o aroma de lúpulo estão mais em evidência do que nunca, enquanto o amargor está na medida, sem persistir de forma exagerada e nem incomodar. Ou seja, conseguimos o melhor de dois mundos e sem qualquer prejuízo para a cerveja que não a aparência turva, o que, sendo bem sincero, acabou se tornando um charme a mais para o “estilo”.

Vida longa às NE IPAs! Que venham mais e mais NE APAs, Session NE IPAs, NE DIPAs e outras coisas do gênero. Eu, pelo menos, estou adorando!

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