Como decidir que Cerveja Artesanal pedir | Um Guia para Iniciantes

 OI, MOÇO, O QUE VOCÊ ME RECOMENDA PRA BEBER?

Essa é, sem sombra de dúvidas, uma das perguntas que mais recebi no período em que trabalhei em eventos gastronômicos e cervejeiros da cidade.

Apesar de parecer uma pergunta normal em um primeiro momento, a verdade é que – cara – essa pergunta não faz sentido nenhum!

Como seria possível eu (ou qualquer outro atendente), que nunca vi aquela pessoa na minha vida e desconheço absolutamente tudo que ela já fez ou deixou de fazer, dizer que tipo de cerveja ela iria gostar? A vontade era responder: sei lá, cara!

A cerveja, diferente de outras bebidas, possui uma gama de sabores, aromas, sensações na boca – entre outras variáveis – grande demais para que um desconhecido atendente, por mais capacitado que seja, decida por você o que você irá beber.

A BOLA É TUA, MA’FRIEND

Por mais que o bebedor tente passar a bola da escolha para o atendente, este, em reação, deve fazer algo que eu simplesmente odiava quando meus professores da universidade faziam ao receber uma pergunta minha: responder com uma nova pergunta.

Na verdade, muito mais importante para o atendente do que responder “corretamente” a essa pergunta do consumidor (o que na prática seria impossível, já que se trata de uma pessoa única e com paladar desconhecido), seria fazer as perguntas certas, de modo que ele mesmo (o consumidor) encontrasse as próprias respostas em experiências prévias.

Se você é esse tipo de consumidor, que tem pavor da liberdade de escolha, já lhe trago mais uma má notícia: perguntar ao atendente qual a cerveja que ele mais gosta tampouco vai valer de muita coisa.

Afinal, pode ser que ele tenha o hábito de beber cerveja há anos e esteja com o paladar acostumado com sabores que para alguém que está começando seriam muito improváveis de serem apreciados.

Às vezes a sua preferência é uma Witbier e a do atendente é uma Russian Imperial Stout com Sal do Himalaia maturado em Barris com Ostras vivas. (exagerei? É. Sim. Exagerei, mas acho que deu para entender)

Por isso, na minha visão, ao receber essa pergunta de você, a melhor conduta do atendente do bar em um caso como esses seria, como dito, devolver a pergunta, buscando assim entender coisas que você gosta e, principalmente, coisas que você não gosta.

Por exemplo: você gosta de cervejas amargas? Já provou cerveja de trigo e gostou? E aquela que para mim é a melhor pergunta a se fazer ao consumidor nesta ocasião: qual a sua cerveja favorita?

A pergunta sobre a cerveja favorita é boa porque, por exemplo, se você disser que a cerveja que mais gosta é Heineken, o atendente pode tentar apresentar-lhe uma Bohemian Pilsner um pouco mais caprichada no lúpulo. Já se disser que gosta de Therezopolis Rubine, poderá o atendente lhe indicar uma Irish Red Ale de qualidade, ou uma Bock de verdade. Por fim, se disser que prefere Skol Beats, já permitirá ao atendente expulsar você do bar, uma vez que definitivamente não pertence àquele local (brincadeirinha… será?)

Voltando a falar sério, por mais que haja um risco de você se expressar mal – por exemplo, não é raro o bebedor iniciante confundir amargor com corpo, ou coisas do tipo – ainda assim, acredito que dizer as suas preferências ao atendente (e não perguntar as dele) seja a melhor forma de ajuda-lo a te ajudar.

Caso você não tenha ainda preferências e essa seja simplesmente sua primeira experiência com cerveja artesanal, eu sugeriria que você perguntasse ao atendente sobre as cervejas mais leves e tentaria ir na sorte mesmo comprando a menor dose disponível, ou, caso o lugar ofereça a célebre “provinha”, não hesitaria em pedir uma.

A SINCERIDADE NAS RESPOSTAS É IMPORTANTE!

Como eu disse, um bom atendente, quando perguntado sobre recomendações irá devolver novas perguntas para você. Então, não se esqueça: seja sempre sincero nas respostas. Não precisa dar uma de entendedor de cerveja e nem ter vergonha de pedir uma cerveja levinha se é essa a sua preferência.

O mundo da cerveja é, na medida do possível, desprovido de preconceitos e ressalvados alguns beerchatos – dos quais você deve se manter longe – você poderá beber sua witbier com uma rodela de laranja no copo numa boa enquanto seu amigo bebe uma Imperial IPA com um cazilhão de IBUs e certamente terão bons momentos juntos.

Mesmo com todas essas cautelas pode ser ainda que o atendente não acerte em cheio no seu gosto, mas relaxa, o mundo não acabou por causa disso.

Cabe a você, que ainda está iniciando o longo e apaixonante caminho no mundo das cervejas artesanais, anotar suas preferencias (mesmo que mentalmente) de modo que possa guiar de forma mais adequada um próximo atendente que venha a lhe servir.

Cerveja, como boa parte das coisas na vida, é aprendizado. Busque sempre o seu melhor e vamos beber que os dedos já cansaram de digitar!

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