Turismo cervejeiro em São Paulo: dicas e percepções de um carioca

As dicas e experiências abaixo foram escritas e vividas pelo Monty Hinke, entusiasta cervejeiro carioca, que topou compartilhá-las aqui no Cerveja Mestra para ajudar você, que está planejando uma viagem cervejeira à São Paulo, a curtir tudo que a terra da garoa tem a oferecer no quesito cerveja artesanal.

Turismo cervejeiro em São Paulo: 12 dicas pra um roteiro

1. Optei por ficar hospedado na região do Brooklin, pois muitos dos bares que queria conhecer ficavam a poucos quilômetros do hotel. É bom lembrar que o trânsito em São Paulo é mundialmente conhecido pelo caos nos horários de pico.

2. O bairro dos Pinheiros também é uma boa pedida para hospedagem pelo grande número de bares.

3. Para quem deseja fazer um tour etílico, ficar hospedado no centro, na região da avenida Paulista, pode ser uma grande furada. Fica longe do Brooklin e Pinheiros.

4. Fiz quase todos os deslocamentos de Uber. O serviço funciona bem na cidade. No aeroporto de Congonhas há um ponto de Uber na área de desembarque.

5. O bar mais legal que visitei foi o Empório Alto dos Pinheiros.

É a Meca dos cervejeiros em São Paulo. Tem 44 torneiras de chope. Nos dias que fui tinham muitas opções nacionais, além das gringas La Trappe, Chimay e Founders.

Muitos chopes eram servidos em copos de 150 ml e custavam em média 15 reais. Existiam, claro, outras litragens e preços. Havia uma folclórica Lambic plugada por 49 reais.

Copo de 150 ml. Continuou a ser uma coisa tão folclórica para mim quanto Saci Pererê e Mula sem Cabeça. Não gosto de cervejas ácidas e, claro, achei muito caro.

Aliás, o EAP, como também é conhecido, tem fama de bar caro. Há quem diga que é necessário vender um rim para beber.

De fato existem cervejas muito caras. Mas também é possível garimpar preciosidades por preços mais em conta do que em sites especializados.

Bebi uma Founders Dirty Bastard (26 reais) e a Val Dieu Gran Cru (41 reais) com valores inferiores aos de uma loja on-line.

O EAP funciona todos os dias. Na segunda-feira, entretanto, descobri que ocorre a manutenção da chopeira. Meu desespero, entretanto, dissipou-se rapidamente, pois há dezesseis portas de freezer com cervejas de ponta a ponta.

Sim, eu escrevi dezesseis geladeiras repletas de garrafas! Não consigo imaginar um lugar destes sobrevivendo na combalida economia carioca.

O EAP me fez lembrar que um terço do PIB brasileiro está em São Paulo. O atendimento é ótimo e o cardápio é inacreditavelmente excelente e variado.

Acho que só o Lamas no Largo do Machado tem mais opções na carta. Mas o Lamas vende até mingau. Quem vai em restaurante para comer mingau?

empório alto dos pinheiros são paulo
Crédito: Gonzalo Cuellar/Cortesia Empória Alto dos Pinheiros

6. Visitei o bar Ambar. Tem “apenas” 15 torneiras. Todas de cervejarias nacionais. O cardápio é franciscano: prato do dia e pouquíssimas opções.

Foi o mais próximo que conheci de um boteco com cervejas artesanais. Tem um deck em frente. O EAP também tem.

É uma opção, autorizada pela prefeitura, para a galera que quer beber de noite na rua, fumando um cigarrinho ou que acha mais legal ficar no calor da rua do que em ambiente climatizado.

7. Conheci também a São Paulo Tap House. São 40 torneiras de chopes nacionais. O atendimento, a decoração e a música combinam muito bem.

Quando entrei estava passando o documentário do Michael Jackson das cervejas na Bélgica. Parecia coisa profética.

No happy hour, de terça a sexta, até às 20 horas, dois chopes são servidos em copos de 330 ml, mas cobrados como se fossem de 150 ml.

Só há, aliás, estas opções de litragem para beber no bar, além, claro, dos growlers que podem ser enchidos e levados para casa. São copos americanos. Quem é mais purista e curte aquelas taças mais elaboradas, portanto, pode não gostar.

A comida é excelente. Comi o melhor bolinho de rabada da vida. O TAP SP, como também é conhecido, diz ser “A Vitrine das Cervejarias Brasileiras”. Vale muito a visita.

8. O Mercado Municipal de São Paulo fica no centro, próximo da folclórica rua 25 de março. Longe, portanto, do Brooklin e Pinheiros.

Por conta da distância optei em visitar o Mercadão no sábado de manhã para fugir do trânsito. O Mercado de São Paulo é uma explosão de sabores, odores e cores.

Há frutas expostas que nunca vi na vida. Desta vez, entretanto, os vendedores estavam agressivos como nunca tinha visto.

Os caras assediavam os clientes chegando ao ponto de puxá-los pelos braços.

É uma estratégia de venda no mínimo duvidosa. No Mercadão há uma cervejaria chamada Santa Therezinha.

Não confundir com uma loja que vende chás, outra bebida nobre, homônima. A Santa em questão exibe dez torneiras de chopes nacionais. Todos artesanais, claro.

Há também garrafas nacionais. Algumas de boas cervejarias de Santa Catarina. Os vendedores oferecem provas dos chopes.

Vi uma velhota provar todos os dez chopes e meter o pé sem comprar nada. Aí entendemos os empresários que não permitem provas em seus estabelecimentos.

Uma dica: compre umas frutas em barracas próximas para acompanhar com uns chopinhos do Santa Therezinha.

Mas tem que pechinchar. Os caras metem a mão. Cuidado com as ruas do entorno, pois ocorrem muitos casos de furtos. Nada, entretanto, que um carioca não tire de letra.

Se for beber não cometa a sandice de encarar o sanduíche de mortadela do Mercadão. Você vai ficar empapuçado e não vai conseguir nem respirar, quanto mais beber alguns chopes.

Ademais, a qualidade dos sanduíches e pastéis parecem ter caído muito. Os preços destes produtos, entretanto, continuam muito salgados.

9. Fui na Brewdog. Curti. Só 19 torneiras estavam plugadas: dez chopes visitantes, brasileiros e gringos, e nove da própria Brewdog.

Alguns amigos cervejeiros disseram que o bar não é mais o que já foi um dia. Há três portas de freezer, boa música, bom atendimento (coisa comum em São Paulo), ambiente legal e uma máquina de fliperama. T

Três fichas por dez reais para os saudosistas do vovô do vídeo-game. Comida? Apenas quatro tipos de hambúrgueres, três cachorros-quentes e onze tipos de petiscos.

Achei as porções econômicas, mas o hambúrguer saboroso. O banheiro era mais limpo que as mãos de um sujeito com TOC. Parece uma trivialidade, mas comi num restaurante mais chique em Sampa, cujo banheiro era mais sujo que privada de rodoviária.

bar brewdog em são paulo
Créditos: All Beers

10. Visite o Eataly, o shopping de gastronomia italiana que tem trocadilho no nome.

É difícil defini-lo. Não há nada parecido no Rio de Janeiro.

São três andares de comidas para levar, livros de gastronomia, itens para cozinha, doces maravilhosos, restaurantes, queijos, pães, café da manhã, frutos do mar, pizzas, cursos de gastronomia, concursos de comilança, carnes e até uma fábrica de cerveja da Paulistânia!

Há chopes desta bandeira e de uma marca italiana denominada Baladin. Cervejas geladas para beber no local e outras para levar.

11. Em São Paulo é comum fazer reservas em bares e restaurantes. Como não há praias, a paulistada, coitada, só tem como opções de lazer excelentes restaurantes e bares incríveis.

Deve ser muito angustiante viver assim. Na sexta-feira à noite, por exemplo, tentei conhecer o bar da Goose. Só tentei. Às 21h já estava mais lotado que Maracanã em final da Sul-americana.

Era aquilo que os paulistas denominam de “balada”. O tempo de espera por uma mesa era de mais de duas horas. Com sou carioca, e não tenho esta cultura de ficar esperando longas horas para comer e beber bem, fui embora.

12. São Paulo é uma cidade excelente para comer e beber. Certamente a melhor no Brasil. Os preços, entretanto, muitas vezes são exorbitantes.

É prudente consultar os valores antes de pensar em empenhar os filhos para quitar os débitos. Mas vale a visita definitivamente.

É impossível conhecer num final de semana prolongado todos os lugares recomendados. Infelizmente deixei de ir em muitos.

Acho que consegui até conhecer muita coisa em tão pouco tempo. Tirando o incidente da Goose e a modesta carta do Ambar, o qual também tem seu valor naquilo que se propõe ser, retornaria a todos os lugares que visitei. Retornaria, não. Retornarei.

Abraços cervejeiros!

 

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