Estilos

POR QUE APRENDER SOBRE ESTILOS?

Antes de iniciarmos a análise sobre as classificações das cervejas em estilos, importa saber por que é importante conhecermos sobre os estilos das cervejas.

A separação das cervejas por estilo visa atender principalmente a três necessidades:

a) permitir ao consumidor o consumo consciente de um produto, sabendo o que esperar deste;

b) permitir ao mestre-cervejeiro que crie sua cerveja de acordo com;

c) criar critérios objetivos de julgamento para concursos de cerveja.

Foquemos aqui na letra A, ou seja, no lado do consumidor.

Arrisco dizer que a cerveja é a bebida que pode trazer mais características diferentes se comparada com as demais. Não existe “cheiro de cerveja” ou “gosto de cerveja”.

A cerveja dentro de suas inúmeras variações pode ter sabor defumado, caramelo, de café, chocolate torrado, biscoito, frutas amarelas, frutas vermelhas, frutas escuras, pão, madeira e muitos outros.

Pode ainda ter aromas cítricos, terrosos, frutas tropicais, toffee, caramelo, especiarias, coentro entre muitos e muitos outros.

Por haver essa múltipla possibilidade de sabores e aromas, nem sempre toda cerveja irá agradar a qualquer apaixonado por cerveja, ainda que ela seja boa.

É justamente neste contexto que surge a necessidade de classificação das cervejas por estilos. O de permitir ao consumidor, que – por exemplo – sabe que odeia cerveja escura e com sabores de torrado, mas que ama aromas mais cítricos e paladares amargos evite estilos como stout ou porter e opte por IPAs.

Eu mesmo, que hoje vivo de cerveja, demorei muito tempo para descobrir essa paixão. Isso, porque até meus 23 anos me apresentavam como cerveja as “pilsens” comerciais, como se essa fosse a única possibilidade de cerveja no mundo e aquele paladar definitivamente não me agradava.

Eu dizia que não gostava de cerveja, mas a verdade é que eu não gostava de um tipo específico de cerveja.

Foi quando conheci uma cerveja chamada Tripel Karmeliet, que percebi que eu podia gostar de cerveja e não gostar de cerveja ao mesmo tempo.

E aí, logo no dia seguinte após provar a Tripel Karmeliet fui correndo ao mercado para encontrar mais rótulos tão saborosos quanto, mas justamente por não ter conhecimento sobre os estilos, sempre era um tiro no escuro a escolha de rótulos.

O resultado não poderia ser bom. Do nada, vinham umas cervejas ultra amargas, com um gosto louco de maracujá (aahhhh Vixnu, sua danada!).

No rótulo seguinte vinham umas doideiras de coentro e raspa de laranja…

Mas e como é que eu faço para conseguir uma cerveja parecida com a Tripel, aquela que eu gosto? Pois bem, para isso, somente se eu tivesse conhecimento sobre estilos.

Hoje eu tenho a tranquilidade de ir ao mercado e escolher rótulos que eu não conheço, mas que ainda assim tem grandes chances de me agradar, justamente porque sei quais são meus estilos favoritos.

Óbvio que a cerveja em si pode ser ruim, mas convenhamos que as chances de erro na seleção do rótulo diminui bastante.

Pois bem, passada essa introdução, que acabou ficando maior do que o imaginado, vamos passar a entender os estilos.

CLASSIFICAÇÃO CLÁSSICA

As cervejas são tradicionalmente separadas em três grandes famílias, que têm como critério para diferenciação o tipo de levedura utilizada.

Portanto, os grupos dominantes da legitimidade de definir “a classificação correta”, tende a fazê-lo dizendo que há a familia das Ales (cervejas de alta fermentação), a das Lagers (cervejas de baixa fermentação) e a das Lambics (cervejas de fermentação espontânea).

Por mais tentadora que essa classificação possa parecer, ela cada vez menos atende às finalidades da categorização mencionada acima.

Com as constantes inovações no meio cervejeiro, ela atualmente apresenta poucos indícios sobre como é a cerveja a ser degustada e consequentemente tem pouca utilidade prática.

Existem inúmeras variedades de Ales e Lagers, sendo certo que ambas possuem exemplares de coloração clara, âmbar e escura; de muito ou pouco teor alcoólico; com alto ou baixo drinkability; com prevalência de malte ou de lúpulo; com alta ou baixa carbonatação.

Dando uma de advogado do diabo, há quem diga que as Ales geralmente mais encorpadas, mas as Sessions Ales, que cada vez mais crescem no mercado, têm se demonstrado uma poderosa exceção.

Há ainda quem defenda que uma diferença sensorial contundente que justifique a manutenção dessa diferenciação seja que algumas cervejas Ale conseguem adquirir um caráter mais frutado.

Isso é inegável, mas nos parece que o frutado é muito mais uma característica de certos estilos de cerveja que fazem uso do fermento Ale, do que propriamente uma característica absoluta das Ale enquanto família.

Como pode-se perceber, atualmente pouco contribui no aspecto sensorial para o consumidor saber se a cerveja é Ale ou Lager.

A única coisa que se depreende a partir da informação de que se está bebendo uma Ale ou uma Lager é que a primeira foi fermentada em temperaturas mais altas (19 a 24°C) e a segunda em temperaturas mais baixas (8 a 12°C), o que, como dito, tem pouca relevância prática na hora de se degustar.

NOW WHAT?

Mas, e agora? Se a classificação clássica não atende aos fins propostos, qual é a classificação que devemos adotar?

Deixando completamente de lado a classificação quanto à levedura utilizada, preferimos a classificação que leva em consideração os aromas e paladares da cerveja e que separa as cervejas em 6 grandes grupos: a) Ácidas/Azedas; b) Maltadas e translúcidas; c) Escuras e torradas; d) Maltadas e tostadas; e) Amargas e lupuladas; f) Frutadas e “temperadas”. Trata-se de uma classificação trazida basicamente do

Sobre os estilos que integram cada um desses grupos, falaremos em breve! Assine nossa Beersletter e receba as principais novidades e os melhores conteúdos do mundo cervejeiro.